quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016
Amargura noctâmbula
Cai a noite. Nela, trazem à tona pensamentos reprimidos, devaneios sentidos do que um dia foi concreto. Eu tento evitar a noite. A sua escuridão e seu silêncio perturbam e perambulam a impertinência latente dos desejos. Eu vivo o dia. Vivo como mais um outro qualquer. Afinal, passou-se mais uma noite e, em mim, nada mudou o contexto. Evito a noite. O ócio criativo remete à fantasias, futilidades e sentimentos que estão guardados quando a luz do sol bate em meu olhar. Não é que não goste da noite, muito pelo contrário. Apesar de longe, sinto-me preso, mesmo em utopia, na nossa colcha de retalhos que construímos até você partir. Posso parecer sozinho, mas a costuro por nós dois toda a noite. Meu dia ensina a viver sem latejar problemas abertos e incurados. Minha noite, dopo-me de anestésicos e comprimidos que fizeram suportar toda essa dor. No fundo, é de noite que encontro meus sonhos mais loucos. Viajo em um mundo que você esteja perto de mim, não ao meu lado me beijando, abraçando e acariciando antes de dormir, mas que meu olhar paralelamente enxergue um esboço, silhueta ou um presságio para saber que você está acalentada em meu plano de vista. De dia, finjo que você não existe, porque fisicamente não faz mais parte de mim. De noite, não espero mais um inesperado contato só porque está presa em meu ideal emocional, sentimental e espiritual. Quer saber? Não espero mais nada do que um mero novo cair de noite, porque ao menos assim me conforto nos melhores dos pensamentos.SGO
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