Isso não é mais uma carta de amor, são pensamentos soltos traduzidos em palavras, para que, talvez um dia, você possa ao menos entender o que não entendo. Jota Quest desatou mais linhas para figurar e personificar um sentimento que se retroalimenta com a presença de alguém do lado. Eu não a tenho, e por isso me limito somente a escrever isso, pois é como nosso ciclo, que, de fato, não se fechou. Ele até pode ter se fechado na acepção da palavra, mas sabe quando a cicatriz fica em relevo por ter ficado algum resquício, sujeira ou glóbulo que ainda está efervescente sobre a pele? Minha epiderme é latente para que algum repentino momento surja para curar essa ferida mal fechada, pois foi assim com minhas outras cicatrizes: ficavam a marca do amadurecimento e não havia mais padecimento na região do meu coração, pois sua alma me curava e, assim, cria a conspiração de que o mundo desse sua volta, o laço chibatasse e o carrossel voltasse sob seu chão. Mas, para chegar novamente a esse firmamento, é preciso ter o meu, intento ao suster meu porto de paz, pois estou sem o meu seguro. Ciclos também são rompidos, mas, como homem bonachudo e maduro andarilho, não o fiz a fim de sacrificar minha alma, áurea e contradizer o meu âmago, sofrendo arrependido e sem juízo. Eu faço, então, não o "fechar" de um ciclo, porque não é um ato voluntário. Faço, enfim, o fechamento dele, aquele com amargura, não planejado, forçado bruscamente e sem rota alternativa a pensar, falindo minhas expectativas e esperanças. Estes pensamentos soltos foram feitos no atenuante intuito de espairecer e não enlouquecer com tudo que sofri e engoli calado. Faço destas minhas traduções de palavras a finalização desse ou de mais um ciclo, hoje machucado e enfermo, mas é para não me permitir mais nutrir algo que está pujante em sentimentos e assolado em saudade e solidão. Posso voltar aqui para balbuciar mais algumas dores, mas hoje fecho minha porta do peito simplesmente porque não mais me admito viver infeliz sem porquês. Ponto final ou reticências: aprendi contigo que corações bons não se corrompem, não esqueço nunca disso. Por isso, espero que o seu não se incumba nos efêmeros sentimentos deste mundo. (...)SGO
Emendas de sentimentos desalinhados
sábado, 20 de fevereiro de 2016
Não foi por falta de amor
Dias e mais dias se passam e tenho um conflito torturante dentro de mim. Tento buscar a resposta no silêncio, mas ele é ensurdecedor; com o barulho, mas ele abstrai e asbrata qualquer convicção. Quando guiado com a luz e ruído da cronológica utopia de algum seriado ou desenho na TV, a fim de estar longe de qualquer angustia dilacerante que me devaste e contraste, é quando tudo se lapida e incandesce o ardor da minha dor. Hoje, mais do que nunca, vejo que não foi por falta de amor, pelo contrário, foi pelo excesso dele, de preservar, como homem e ser humano, o melhor da uma relação, de te manter ao alcance de meus ensejos, para, no fim, ficar longe com meus anseios e receios. Não foi por falta de amor que estou mais sedento pelo seu plano, pois distância não é uma questão de presença física ou geográfica, linear ou sinuosa, quilômetríca, milimétrica ou até mesmo assimétrica, o importante é tudo que se perdura apesar de qualquer adversidade ou tempestade, pois sobrepõe solitariamente qualquer sentimento que poderia ser a dois. Não é por falta de amor que ainda estou aqui, sinto saudade e penso em ti. Não é por falta de amor que hoje estou longe de tudo que possa me remeter a ti para te ver mais feliz e, mesmo que assim esteja, me afasta muito dos teus porquês não ser mais eu o motivo que escancara teu sorriso. Não foi por falta de amor, não vai ser e nunca será, pois isso não vai dissipar o que ultrapassa o maior dos limites: esse próprio amor que não falta dentro de mim.SGO
sábado, 6 de fevereiro de 2016
Sua folia, minha agonia
Sei o quão apreciadora do Carnaval és. Não sou nem um pouco. Minhas admirações sobre o feriado alinhavam-se à tua cobiça em desfilar na avenida. Sempre tive esse almejo dentro de mim. Agora, suas marchas, sem ti e tua presença, tornaram-se fúnebres, seu enredo virou meu medo, sua folia, alegria e, assim, quanta agonia. Quando remete-me ao Carnaval é uma mistura ortodoxa de pressentimentos bons, mas com a falta da sua essência. Sei que estás plenamente feliz nestes dias e isso alivia minha alma e dá conforto, acalento a alegria. Pode ter certeza, estou ensaiando meus passos para novamente te rever em uma escola que traduz e induz ao nosso encontro. Neste Carnaval sou vermelho puro, de amor e paixão, torcendo para conseguir as melhores notas e contemplar-me ao pódio para finalmente fazer parte da frente das baterias que ritmam nosso coração. Sou puro de saudade lembrando que há exato um ano estavas contigo e te querendo tanto, tanto ou mais que te quero neste ano. Só posso dizer que meu Carnaval só tem um reflexo: te amo.SGO
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016
Nos perdemos, enfim, talvez
São semanas sem poder saber como você está. Vejo você cada mais distante, longe do meu semblante espiritual. É como semear um grão, vê-lo crescer, cuidar amorosamente pelo seu fruto e, repentinamente, sair de perto e ficar à mercê da natureza e à deriva de uma catástrofe. Estar longe é mais que sentir ausência da pessoa, é gradativamente se convencer que tudo que você colheu pode ter gerado frutos para outras pessoas saborearem o seu néctar e perder num devasto qualquer. Como frutífero cultivado, hesitamos comê-lo justamente por despeito da fome, nós colhemos seu plantio porque escolhemos o fruto em nossa colheita, tal como uma especiaria se valoriza à medida certa. Perdê-lo é ressecar a boca, a alma e o sentimento. Não é mais palpável, é distante de qualquer sabor. Enfim, estamos distantes, talvez. Talvez te ache, vire um achado perdido dentro de uma gaveta revirada, como o dos meus sentimentos bagunçados. Talvez seja uma agulha no palheiro, um ponto preto contrastado numa área branca, pode ser difícil ou fácil. Caso te ache, meu valor por você vai ser redobrado, sedento, rebuscado. A gana que terei em poder te sentir fará magnificar meu olfato, imperar meu tato, aguçar meu paladar, melhorar minha visão e atentar minha audição, porque todo meu valor e sentido mudaram e a sinestesia pelo seu todo vai ser meu ouro. Te perdi, enfim, te desejo, sim, te espero, talvez. Espero um dia, sim, só mais uma vez, enfim, mas ainda estou aqui, por ti.SGO
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016
Amargura noctâmbula
Cai a noite. Nela, trazem à tona pensamentos reprimidos, devaneios sentidos do que um dia foi concreto. Eu tento evitar a noite. A sua escuridão e seu silêncio perturbam e perambulam a impertinência latente dos desejos. Eu vivo o dia. Vivo como mais um outro qualquer. Afinal, passou-se mais uma noite e, em mim, nada mudou o contexto. Evito a noite. O ócio criativo remete à fantasias, futilidades e sentimentos que estão guardados quando a luz do sol bate em meu olhar. Não é que não goste da noite, muito pelo contrário. Apesar de longe, sinto-me preso, mesmo em utopia, na nossa colcha de retalhos que construímos até você partir. Posso parecer sozinho, mas a costuro por nós dois toda a noite. Meu dia ensina a viver sem latejar problemas abertos e incurados. Minha noite, dopo-me de anestésicos e comprimidos que fizeram suportar toda essa dor. No fundo, é de noite que encontro meus sonhos mais loucos. Viajo em um mundo que você esteja perto de mim, não ao meu lado me beijando, abraçando e acariciando antes de dormir, mas que meu olhar paralelamente enxergue um esboço, silhueta ou um presságio para saber que você está acalentada em meu plano de vista. De dia, finjo que você não existe, porque fisicamente não faz mais parte de mim. De noite, não espero mais um inesperado contato só porque está presa em meu ideal emocional, sentimental e espiritual. Quer saber? Não espero mais nada do que um mero novo cair de noite, porque ao menos assim me conforto nos melhores dos pensamentos.SGO
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